Te deixo aqui.

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Não é fácil. A maior missão disso tudo é desprender. Te deixar ir. Soltar esse sonho que pertenceu apenas a mim. Mas escolho te deixar aqui. Deixo aqui nossas fotos sorrindo, leves e sem imaginar quanta dor aquele afeto causaria. Te deixo os passeios, feito os amigos de longa data que um dia fomos. Deixo os toques, o arrepio, e o desejo constante de sempre mais. Deixo teus defeitos, somados a essa personalidade e todos aqueles detalhes que me encantaram, me tiraram de mim. Deixo nosso jeito meio sem jeito de se aproximar. Deixo nossa relação efêmera e intensa para lembrar. Deixo a dor de quando você escolheu ir. Deixo a mágoa que me acompanhou por tantos dias ao não entender o porquê desse fim. Deixo a saudade de algo que pode ter existido apenas no meu coração. Deixo tudo que foi seu. Estou desocupando meu coração de você. Limpando o espaço. Fechando esse ciclo. Entregando as chaves. Espero que tu fique apenas aqui, onde tu pertence, no passado. Entendo que os dias até a adaptação de não te encontrar nos meus cômodos não serão fáceis . Mas te deixo aqui, carregar nas costas um amor unilateral é pesado demais. E prefiro meu ser assim, leve, limpa e pronto para receber tudo aquilo que mereço, tudo aquilo que você não soube me dar. Adeus passado, você fica aqui. Daqui pra frente sou apenas eu, um punhado de possibilidades e essa tela em branco para pintar.

Karoline Amorim

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Foi tudo seu.

Eu sempre tive dificuldade em te colocar em palavras, é que te explanar pro mundo era quase como te perder de mim. E eu sempre quis tudo de você. Nós fomos tudo aquilo que eu imaginei que seriamos. Desde a primeira vez que te vi, senti. Havia algo, uma energia, uma corda invisível que queria mais. Saber mais, conhecer mais, ter mais. Teu mistério sempre me fascinou. Acho que foi isso que sempre me fez manter distância. Havia algo que me dizia, intuição certeira ou qualquer coisa assim, que tu seria demais pra mim. Quebraria ou me prenderia de um jeito que eu não seria capaz de desatar. Mas minha alma aventureira sempre quer pagar pra ver né, e eu apostei tudo em ti. Eu fui chegando como bem sei fazer. Eu não perdi tempo como prematura que sou. Eu me joguei condizente como a canceriana que me rege. Quando vi, já era tudo seu. Todo esse afeto gigante que guardo para poucos. Quando vi teus sorrisos sinceros me desarmaram. O cuidado diário me encantou. Quando vi meu coração já batia por você. Quando vi éramos Nós, mesmo sem ser. Nunca te coloquei em palavras. Nunca resumi meu amor naquelas 3 palavras. Mas eu te amei sabe. Como um pássaro no olho de um furacão, eu acabei por te amar. Mesmo sabendo, mesmo enxergando os sinais para que eu parasse, meu coração foi seu. Mesmo quando tu fez pouco caso e se pintou tudo aquilo que eu mais temia. Mesmo quando vi o passado se repetindo, e os soluços se esconderem por noites a fio no travesseiro. Engraçado né, o coração é essa coisa incrível que não escolhe dono, e nem vira contra quem o machuca. Mesmo te vendo partindo. Mesmo com meus pedaços no caminho. Mesmo sem saber como me juntar, mais uma vez. Eu te amei. E continuei te amando. Mas meu ser resiliente como sempre, endureceu um pouco mais, sacudiu a poeira e foi te deixando no caminho, como tu bem fez. Foi nesse impasse de continuar amando o que me quebrava todos os dias, à aprender a amar um pouco mais a mim mesma, que me levantei sabe. Foquei toda essa energia e amor que tu jogou fora na minha vida. E que bela escolha. Vesti minha armadura, levantei a cabeça, virei as costas e saí. E ainda estou aqui, a diferença é que agora é tudo meu. Me transbordo para mim mesma. Me alegro por mim. Vivo para me amar. De você não soube mais, melhor assim, certas feridas só são curadas com o cuidado de não abri-las novamente.

Karoline Amorim

Sigo agora.

Eu te segurei até a corda quase soltar. Te segurei com sangue nas mãos, querendo apenas que você me enxergasse ali, tentando, querendo, pedindo aos céus pra que a gente não virasse passado. O apego é assim, engraçado, ele te faz desejar o que mais te machuca. Minha alma resiliente quis ir até o final, quis pagar pra ver, até que a sua indiferença foi demais, e se tem algo que aprendi, é que não adianta lutar lutas vazias. Escolha suas batalhas com cuidado, é isso. E eu escolho te deixar ir. Deixo aqui tudo que tivemos, se é que tivemos, pois segurando tudo isso eu não conseguiria seguir. Sigo agora com meu coração maltratado, mas vazio. Sigo agora não querendo lembrar de tudo que foi bom, pois isso me faria  querer carregar aquela mala das lembranças novamente, e já não dá. Existem limites, mesmo para mim. Sigo agora disposta a deixar tudo isso ai, em uma cidade qualquer, em uma casa qualquer, com pessoas qualqueres ou qualquer coisa assim, e ir. É triste dizer mas você só existiu para mim, assim como todo o resto, mais triste ainda é que eu tenha que apagar tudo que fomos. Mas é isso. E sabe, foi amor. Desde o primeiro oi, até esse fim triste e sufocante. E sabe, amor não deixa de ser. Apenas é.

Karoline Amorim

Voa

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Deu vontade de correr e te abraçar. Naqueles primeiros sábados sem você, eu quase mandei aquela mensagem arquivada “Foge comigo?”. Fiz preces baixinhas no travesseiro, pedindo um pouco mais de nós. Aquele se cuida do fim da conversa se infiltrou na minha mente, e eu só quis gritar, engolir essas palavras e dizer:  “Me cuida, por favor?” Eu atravessava a rua ao ver algum conhecido seu, não era nada, era só que saber de você quase me matava. Porque é assim, a presença de quem não quer estar presente sempre machuca mais. Eu via a tua vida das sombras, as vezes eu não conseguia conter, só rezava ao seu bem, bem estar, bem querer, bem e bem. Eu sempre pedia para que a pessoa que me secava pouco a pouco estivesse bem, viva e vivendo, acho que o amor acaba tendo esse desprendimento no final. Eu tentei não julgar tuas escolhas, mas conhecia teus gestos, os olhares e tudo que estava escrito apenas nas estrelinhas. Eu te lia em um rodapé minúsculo e nunca falhava. Eu sabia dos olhares. E sabia que por maior que fosse o meu querer, ele não condizia com o seu. E sabe, não havia mal nenhum nisso. Ninguém é obrigado a ficar não é? Mas sinto que tenho me desprendido. Acho que quase consegui te tirar de mim. Dos poros arrepiados da pele, dos pensamentos iniciais do meu dia. Te soltei como quem solta seu balão preferido. Te deixo ir. Te deixei ir. Assim voando pelo céu, enfeitando outros olhares. Ainda te quero bem. Esteja bem. Bem, solto e feliz. Por aqui eu me viro, e aquela tua falta já nem me afeta mais, não tanto, não como ontem e com certeza afetará ainda menos amanhã. Sejamos vida, como fomos, como lembramos.

Karoline Amorim

Paz

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A paz te encontra. Não a procure. Não corra atrás dela, ela chegará até você. Assim, por conta própria, secando a tempestade de lágrimas e desatando todos os nós do coração. A vida se encarrega de unir os caminhos. Faz jus daquele “Não se afobe não que nada é pra já…”, sempre sábio esse Chico. Mas sabe, prestando bem a atenção, a paz esta sempre ao redor. Nos sorrisos sinceros que não sorrimos de volta. Nos pingos de chuva que nos irritam ao invés de lavar a alma. Nos dias de sol que chegam para aquecer o coração e a vida, mas irritados só desejamos as sombras. Esta nos conselhos que fariam a vida mais fácil se ouvidos. No querer ficar que ignoramos. Nas vontades que anulamos. No medo do anormal que a falta de coragem cria. Esta em querer sempre mais tendo tanto para isso. A paz esta em cada detalhe da vida que cansados, emburrados e nublados demais deixamos de perceber. Nas pequenas coisas, nesses tantos abraços, nos bom dias não desejados e não vividos, nos erros que vivemos encontrando em pinturas perfeitas, nas pedras e tropeços que nunca achamos merecedores. A paz está em cada um, em cada canto, em cada novo respirar e nova chance de encontra-la que recebemos a cada abrir de olhos. Esta em tudo que nos rodeia e que cegos de gratidão, não realmente enxergamos.

Karoline Amorim

Raso

Eu deveria saber. Queria prever. Foi tudo tão rápido. Você me ganhou em um abraço meio a lagrimas minhas sem motivo qualquer aparente. Mas havia um motivo, eu queria mais, você foi minha prece para continuar, só pude pensar baixinho, deixe que vingue, crie raiz, eu adubo certinho, há tanto amor e carinho. E você ficou, uma semana, um mês, nem importa, foi intenso, foi toda a verdade que eu procurava. Mas foi rápido, tudo que vêm rápido, vai rápido. Já dizia minha Avó. E você foi indo. Uma ligação não atendida aqui, um sumiço repentino lá. Verdades escondidas por detrás da falta de coragem. Seria tão mais fácil não permanecer. Eu disse desde o inicio, eu sinto tanto, eu sinto muito, sinto com tudo de mim. Então você se foi, para outros braços, para os braços do passado talvez. Mas foi. Quebrou a promessa, e jogou fora todas as juras de ser meu. E eu te fiz meu, é isso que cancerianos fazem não é? Sentem tudo, mergulham. E você como mais um coração raso demais, não acreditou quando eu lhe disse que mergulharia. E eu mergulhei, molhei os pés e a alma todinha, me fraturei, quebrei tudo de mim mais uma vez por essa mania de querer mergulhar em gente rasa demais.

Karoline Amorim

Um texto sobre saudade

Hoje sonhei com ele. Fazia tanto tempo, antes chamaríamos de conexão e em seguida ele diria que também tinha sonhado comigo. Houve muita mágoa um dia, houve raiva, desespero, arrependimento. Hoje há saudade. Ele foi o meu melhor amigo por tempo suficiente para isso. Gostaria de ter um número e ligar pra falar sobre a vida. A minha e a dele. Contar meus passos incertos depois daquela queda, e como fiquei perdida sem a presença dele ao meu redor. Ele me mostrava quem eu era, me salvava de mim. Dessa minha pressa sempre contida e dessas atitudes impensadas que sempre me rodeiam. E eu sabia acalmar a sua raiva e tirar ele daquela bolha de nós que ele queria viver. Eu mostrei o novo, novas músicas, novos jeitos, novas manias. Ele sempre a razão mostrava aquele tanto de pensamentos repensados, atitides calculadas, calma, paz. Ele foi muita paz para o meu ser. Ele me quebrou ao sair e ainda assim me ensinou a voar sozinha. Eu o dividi com as minhas dúvidas, mesmo assim ele me amou do início ao fim. Nossos passos incertos nos trouxeram até aqui. Nosso amor adolescente e fugas nos moldou quem somos e como nos relacionamos hoje. Ele marcou, eu marquei. Sabemos disso e seguimos, esse texto é sobre saudade e essa lacuna sempre aberta que ela deixa no caminho. Vivemos novos sonhos, traçamos novos rumos, mas a saudade vai e volta, em momentos contados ele me vêm ao pensamento, não com raiva, não com amor, talvez com afeto, gratidão e saudade, saudade para contar como prece baixinha os acontecimentos novos e sufocar uma falta sabe-se lá de quê. Mas essa é a saudade, sufoca o presente nos levando a um passado, esse que já passou, mas não foi de vez, nunca vai de vez.

Karoline Amorim

Um dia seremos.

Talvez não seja agora. Talvez seja em uma próxima, ou em outra, ou depois dessa outra. Talvez um dia seremos mais. Seremos o agora, sem precisar sufocar o sentimento bonito que só a gente entende. Seremos presença e não saudade de uma paz encontrada e perdida. Talvez um dia possamos fazer aquela viagem comentada a tanto tempo entre uma confissão e outra. Um dia quem sabe eu possa morar no teu abraço como sempre quis e nunca pude. Talvez um dia a gente sonhe e realize junto. Quem sabe um dia o destino concorde com a gente e nos deixe ser. Em uma vida qualquer poderemos ouvir qualquer música, sem evitar nenhuma por lembranças sufocadas. Talvez um dia deixemos de dar tanta volta atrás de algo que nem sabemos e nos contentemos um com o outro. Quem sabe em uma outra vida seremos duradouros, um mês, um ano, a vida todinha. Talvez seremos. Talvez a gente encontre explicação pra esse sentimento que nem a gente entende. Quem sabe, quem dirá? De tantas vidas, em uma qualquer talvez você goste de ficar e a vida nos permita ser.

Karoline Amorim

Ele chegou

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Ele chegou feito um vento de paz. Aqueles quentinhos e leves que passam depois da tempestade e deixam um rastro de gratidão. Calma pura. Alma lavada. Ele chegou mansinho, cheio de querer bem. Chegou calminho contando os passos e sabendo lidar com a minha rispidez. Chegou trazendo carinho e logo eu toda arisca, não soube recusar. Chegou me fazendo duvidar. Não poderia ser. Tanto clichê. Deve não ser. Mas chegou me fazendo sentir. E não é isso que está em falta hoje? Gente dessas que nos fazem sentir, transbordar, querer muito, pagar pra ver. Ele chegou feito promessa, feito prece, feito alma gêmea encontrando seu lugar. Chegou cheio de sorriso roubado e beijo na testa. Chegou me trazendo de volta. Pegou na minha mão feito anjo bom e mostrou tudo aquilo que eu era e deixei pelo caminho juntando tanta decepção. Ele chegou feito verão depois de um inverno intenso. Aqueceu o corpo, a alma, todo aquele querer que a desilusão me roubou. Ele chegou me salvando, deve ter alguma capa escondida. Me salvou de mim, daquela solidão que me levava abaixo, da falta de querer, da falta de me querer. Ele chegou. Ele ainda está aqui. Meu coração está aprendendo a sorrir em paz. Ele chegou, e eu não poderia fazer nada além de abrigar seu calor, me abrigar nesse amor, e ir. Ele chegou, e a minha prece de todas as noites é que ele goste de ficar, não quero procurar outro lar, quero é habitar nesse moço, com cheiro de para sempre e sorriso de esperança.

Karoline Amorim

Nasci Flor

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Nasci Flor. Colorida. Enfrentando das maiores tempestades até os mínimos dias de Sol. Nasci Flor. É, sempre enfeitar ou enfrentar. A vida de tanta gente, a primavera de cores, os invernos intensos. Nasci Flor, livre, única, frágil. Mas não poupei espinhos a aqueles que me roubaram pétalas e jardins. Nasci flor, perdendo a delicadeza com quem não deveria, bem querendo ter nascido pedra. Dura, fechada, cinza. Mas nasci Flor. E nesse jardim todo, alguns jardineiros só fizeram mal a mim, tolos, era só me cuidar. Alguns regaram demais, outros me deixaram secar, nenhum soube fazer o trabalho certo, acabaram com espinhos nas mãos. Ação e reação meus caros. Nasci Flor, mas queria mesmo era ter nascido borboleta. Voar até o céu, ser livre um instante do para sempre. Crescer lagarta, vencer solitária e amadurecer o suficiente para conhecer a imensidão do céu, sem ninguém, nenhuma pétala a perder ou jardim mal cuidado a viver. Apenas bater asas, enfeitar por ser, ser mensageira de Deus, ser liberdade e mais nada. Mas que pena, nasci flor.

Karoline Amorim