Silêncio de nós

Foi dificil encontrar minha voz e conseguir falar de você. É que tudo foi tipo aqueles dias de Sol que acabam em tempestade. Ainda dói lembrar de nós. Ainda me apego a velhos hábitos, tantas histórias e momentos felizes. Quem dera tivéssemos sido apenas eles. Com tantos tropeços ficou dificil caminhar na corda bamba de nós. Eram dias felizes, que nos iludiam com um sentimento que pensara eu ser suficiente. Mas não foi, nunca é. Em meio a tantos rostos, o nosso sentimento. Em meio a tantas brigas palavras cortantes, nos deixaram se perder. É dificil perder um amor que não acaba por uma falta de amor sabe. É dificil desconhecer alguém. Esquecer. Apagar. Perceber que o que te importa já não tem importância pra outra pessoa. Não saber mais por quem se apegou. Essa rotina intensa ainda machuca, o silêncio ainda machuca. Acho que fomos feitos e cobertos de um amor que machuca. E ainda dizem, se dói não deve ser amor. Mas dói, como dói. Até tento não lembrar da ferida, mas é difícil quando volta e meia alguém coloca um dedo nela.

Fotos não mais em portas retratos, lugares não mais de mãos dadas, músicas não mais ouvidas, sentimento rouco sufocado. Ouso dizer que o que mata não é o amor, mas sim a morte dele. Lenta. Comprida. Ferida aberta. Alma exposta.

Karoline Amorim

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É ISSO

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Mas sabe qual é? É que tá tudo em paz agora. Aquela paz que você me roubou lembra? Ela voltou, voltou calminha, cheia de sorrisos leves, de sonos tranquilos e noites sorridentes. É que você passou cheio de desordem por mim, bagunçou o cenário inteiro, virou e tirou tudo de lugar. Confesso que demorei a me achar no ambiente que você deixou. Mas me achei sabe. Achei a mim mesma e um tanto enorme de alegria não gritada. Sei que você soube de mim, sei que voltou a me procurar, mas é que andei ocupada demais sendo feliz para lembrar de você. Hoje vi fotos suas, e sorri, você é o mesmo, mesmo sorriso pelo qual eu me apaixonei um milhão de vezes, mesmo olhar de cão abandonado que me deu vontade de cuidar, mesmas atitudes desmedidas de quem faz sem pensar e se arrepende, você é o mesmo. A única que não é a mesma sou eu. Você me mudou sabe. No começo para pior, me perdi de mim, dei mil voltas querendo me encontrar  e esqueci completamente do meu eu. Houve um tempo, um longo tempo, onde apenas uma foto sua com alguma das tuas várias conquistas me deixaria chorando a noite toda, me tiraria o sono, a fome, roubaria os sorrisos e qualquer beleza minha. Me jogaria em um dia sem humor, e com um tanto de cafeína e nicotina para apaziguar a dor. Não sei ao certo quando parou de doer, acho que foi só a minha visão voltando ao normal e mostrando quem você realmente foi o tempo todo. Sempre temos esse extinto natural que nos mantém respirando, ele me obrigou a continuar, sem ver você voltar, sem ver você curar. Com pequenos passos, longas corridas, muitos tropeços, eu me afastei de toda a dor que você me trouxe, cheguei no agora calma, feliz, e convicta de uma coisa: O mundo sempre dá voltas meu rapaz.

Karoline Amorim

Obrigada por me fazer dormir sorrindo

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Tem gente que é assim sabe, pura paz , calma, sem vento, sem balanço, só gratidão por um sentir tão limpinho. Ele me chegou quando eu não mais acreditava no amor, chegou cheio de jeitos, defeitos, quereres, e como ele me quis. Acho que foi isso que me fez continuar, ele nunca desistiu de nós. É triste dizer, mas no começo lutou por mim e por ele. Até que meu coração tanto maltratado, perdeu um tijolo, depois dois, depois três, e quando dei por mim, aquela barreira que eu prezava tanto em deixar de pé, já estava ao chão, muito entulho, pouco orgulho, e aquele famoso “e,se?” rodeando, entrando na mente, quebrando as poucas barreiras restantes do coração. E como diria a canção “[…]quando é assim a gente tem que abrir a mão do não[..]”. E eu abri. Me abri inteira pra ele e aquela sensação quentinha que transbordava do peito. Hoje, tão mais vividos, com muito mais memórias de nós eu só faço por agradecer. A vida, ao cosmos, a qualquer que tenha sido a vozinha que me fez aceitar tudo que ele queria me oferecer. Acreditar. Enfrentar o meu maior medo. Sentir. Sentir tanto, sentir muito, sentir com tudo de mim como sempre faço. Tava pensando aqui, obrigada moço. Não por tudo e todos os dias, mas por ter permanecido frente a todos os obstáculos que insisti em colocar em seu caminho.

Karoline Amorim

Tu saiu.

 

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Te vi saindo. Olhei seus ombros largos, seus passos incertos, a cabeça baixa de dúvida ou dor. Vi todo seu tamanho escorrendo pelos meus dedos e saindo da minha vida para longe. Vi seus olhos buscando novos olhares, seus braços encontrando abrigo em outro abraço. Te vi indo. Virando as costas pra esse meu tolo querer e saindo. Não sei por quanto tempo fiquei apenas olhando sua sombra se distanciar. Engoli vontades, saudades, um apego bobo. Deu vontade de correr e te pedir para ficar, para não ir, para segurar forte a minhã mão, que eu tinha amor por nós dois, seguraria firme essa barra de querer. Mas sabe, já não peço para ninguém ficar. Não aqueles que querem partir. Por isso te deixei ir. Fiquei com um tanto de lembranças, uma mágoa que hora ou outra passa e esse meu orgulho intacto. Logo eu, que me amei tão pouco, hoje me vejo me amando muito, me querendo muito, aceitando apenas muito, muito, muito. Quando você saiu, eu fiquei com meu bem querer. E sabe, bem me quis, bem me quero. E me cuido e transbordo. Encontrei muito na vida após sua fuga anônima. Me encontrei muito na vida após te ver em outros braços. Logo eu, que te quis tanto, hoje apenas me quero. Me quero e não volto. Me quero e não olho para trás. é isso, percebi que caminho bem sem você, percebi quando me vi andando sozinha, com medo, passos incertos, quereres sufocados, e mesmo assim não olhei em nenhum momento para trás.

Karoline Amorim

Te deixo aqui.

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Não é fácil. A maior missão disso tudo é desprender. Te deixar ir. Soltar esse sonho que pertenceu apenas a mim. Mas escolho te deixar aqui. Deixo aqui nossas fotos sorrindo, leves e sem imaginar quanta dor aquele afeto causaria. Te deixo os passeios, feito os amigos de longa data que um dia fomos. Deixo os toques, o arrepio, e o desejo constante de sempre mais. Deixo teus defeitos, somados a essa personalidade e todos aqueles detalhes que me encantaram, me tiraram de mim. Deixo nosso jeito meio sem jeito de se aproximar. Deixo nossa relação efêmera e intensa para lembrar. Deixo a dor de quando você escolheu ir. Deixo a mágoa que me acompanhou por tantos dias ao não entender o porquê desse fim. Deixo a saudade de algo que pode ter existido apenas no meu coração. Deixo tudo que foi seu. Estou desocupando meu coração de você. Limpando o espaço. Fechando esse ciclo. Entregando as chaves. Espero que tu fique apenas aqui, onde tu pertence, no passado. Entendo que os dias até a adaptação de não te encontrar nos meus cômodos não serão fáceis . Mas te deixo aqui, carregar nas costas um amor unilateral é pesado demais. E prefiro meu ser assim, leve, limpa e pronto para receber tudo aquilo que mereço, tudo aquilo que você não soube me dar. Adeus passado, você fica aqui. Daqui pra frente sou apenas eu, um punhado de possibilidades e essa tela em branco para pintar.

Karoline Amorim

Foi tudo seu.

Eu sempre tive dificuldade em te colocar em palavras, é que te explanar pro mundo era quase como te perder de mim. E eu sempre quis tudo de você. Nós fomos tudo aquilo que eu imaginei que seriamos. Desde a primeira vez que te vi, senti. Havia algo, uma energia, uma corda invisível que queria mais. Saber mais, conhecer mais, ter mais. Teu mistério sempre me fascinou. Acho que foi isso que sempre me fez manter distância. Havia algo que me dizia, intuição certeira ou qualquer coisa assim, que tu seria demais pra mim. Quebraria ou me prenderia de um jeito que eu não seria capaz de desatar. Mas minha alma aventureira sempre quer pagar pra ver né, e eu apostei tudo em ti. Eu fui chegando como bem sei fazer. Eu não perdi tempo como prematura que sou. Eu me joguei condizente como a canceriana que me rege. Quando vi, já era tudo seu. Todo esse afeto gigante que guardo para poucos. Quando vi teus sorrisos sinceros me desarmaram. O cuidado diário me encantou. Quando vi meu coração já batia por você. Quando vi éramos Nós, mesmo sem ser. Nunca te coloquei em palavras. Nunca resumi meu amor naquelas 3 palavras. Mas eu te amei sabe. Como um pássaro no olho de um furacão, eu acabei por te amar. Mesmo sabendo, mesmo enxergando os sinais para que eu parasse, meu coração foi seu. Mesmo quando tu fez pouco caso e se pintou tudo aquilo que eu mais temia. Mesmo quando vi o passado se repetindo, e os soluços se esconderem por noites a fio no travesseiro. Engraçado né, o coração é essa coisa incrível que não escolhe dono, e nem vira contra quem o machuca. Mesmo te vendo partindo. Mesmo com meus pedaços no caminho. Mesmo sem saber como me juntar, mais uma vez. Eu te amei. E continuei te amando. Mas meu ser resiliente como sempre, endureceu um pouco mais, sacudiu a poeira e foi te deixando no caminho, como tu bem fez. Foi nesse impasse de continuar amando o que me quebrava todos os dias, à aprender a amar um pouco mais a mim mesma, que me levantei sabe. Foquei toda essa energia e amor que tu jogou fora na minha vida. E que bela escolha. Vesti minha armadura, levantei a cabeça, virei as costas e saí. E ainda estou aqui, a diferença é que agora é tudo meu. Me transbordo para mim mesma. Me alegro por mim. Vivo para me amar. De você não soube mais, melhor assim, certas feridas só são curadas com o cuidado de não abri-las novamente.

Karoline Amorim

Sigo agora.

Eu te segurei até a corda quase soltar. Te segurei com sangue nas mãos, querendo apenas que você me enxergasse ali, tentando, querendo, pedindo aos céus pra que a gente não virasse passado. O apego é assim, engraçado, ele te faz desejar o que mais te machuca. Minha alma resiliente quis ir até o final, quis pagar pra ver, até que a sua indiferença foi demais, e se tem algo que aprendi, é que não adianta lutar lutas vazias. Escolha suas batalhas com cuidado, é isso. E eu escolho te deixar ir. Deixo aqui tudo que tivemos, se é que tivemos, pois segurando tudo isso eu não conseguiria seguir. Sigo agora com meu coração maltratado, mas vazio. Sigo agora não querendo lembrar de tudo que foi bom, pois isso me faria  querer carregar aquela mala das lembranças novamente, e já não dá. Existem limites, mesmo para mim. Sigo agora disposta a deixar tudo isso ai, em uma cidade qualquer, em uma casa qualquer, com pessoas qualqueres ou qualquer coisa assim, e ir. É triste dizer mas você só existiu para mim, assim como todo o resto, mais triste ainda é que eu tenha que apagar tudo que fomos. Mas é isso. E sabe, foi amor. Desde o primeiro oi, até esse fim triste e sufocante. E sabe, amor não deixa de ser. Apenas é.

Karoline Amorim

Voa

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Deu vontade de correr e te abraçar. Naqueles primeiros sábados sem você, eu quase mandei aquela mensagem arquivada “Foge comigo?”. Fiz preces baixinhas no travesseiro, pedindo um pouco mais de nós. Aquele se cuida do fim da conversa se infiltrou na minha mente, e eu só quis gritar, engolir essas palavras e dizer:  “Me cuida, por favor?” Eu atravessava a rua ao ver algum conhecido seu, não era nada, era só que saber de você quase me matava. Porque é assim, a presença de quem não quer estar presente sempre machuca mais. Eu via a tua vida das sombras, as vezes eu não conseguia conter, só rezava ao seu bem, bem estar, bem querer, bem e bem. Eu sempre pedia para que a pessoa que me secava pouco a pouco estivesse bem, viva e vivendo, acho que o amor acaba tendo esse desprendimento no final. Eu tentei não julgar tuas escolhas, mas conhecia teus gestos, os olhares e tudo que estava escrito apenas nas estrelinhas. Eu te lia em um rodapé minúsculo e nunca falhava. Eu sabia dos olhares. E sabia que por maior que fosse o meu querer, ele não condizia com o seu. E sabe, não havia mal nenhum nisso. Ninguém é obrigado a ficar não é? Mas sinto que tenho me desprendido. Acho que quase consegui te tirar de mim. Dos poros arrepiados da pele, dos pensamentos iniciais do meu dia. Te soltei como quem solta seu balão preferido. Te deixo ir. Te deixei ir. Assim voando pelo céu, enfeitando outros olhares. Ainda te quero bem. Esteja bem. Bem, solto e feliz. Por aqui eu me viro, e aquela tua falta já nem me afeta mais, não tanto, não como ontem e com certeza afetará ainda menos amanhã. Sejamos vida, como fomos, como lembramos.

Karoline Amorim

Paz

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A paz te encontra. Não a procure. Não corra atrás dela, ela chegará até você. Assim, por conta própria, secando a tempestade de lágrimas e desatando todos os nós do coração. A vida se encarrega de unir os caminhos. Faz jus daquele “Não se afobe não que nada é pra já…”, sempre sábio esse Chico. Mas sabe, prestando bem a atenção, a paz esta sempre ao redor. Nos sorrisos sinceros que não sorrimos de volta. Nos pingos de chuva que nos irritam ao invés de lavar a alma. Nos dias de sol que chegam para aquecer o coração e a vida, mas irritados só desejamos as sombras. Esta nos conselhos que fariam a vida mais fácil se ouvidos. No querer ficar que ignoramos. Nas vontades que anulamos. No medo do anormal que a falta de coragem cria. Esta em querer sempre mais tendo tanto para isso. A paz esta em cada detalhe da vida que cansados, emburrados e nublados demais deixamos de perceber. Nas pequenas coisas, nesses tantos abraços, nos bom dias não desejados e não vividos, nos erros que vivemos encontrando em pinturas perfeitas, nas pedras e tropeços que nunca achamos merecedores. A paz está em cada um, em cada canto, em cada novo respirar e nova chance de encontra-la que recebemos a cada abrir de olhos. Esta em tudo que nos rodeia e que cegos de gratidão, não realmente enxergamos.

Karoline Amorim

Raso

Eu deveria saber. Queria prever. Foi tudo tão rápido. Você me ganhou em um abraço meio a lagrimas minhas sem motivo qualquer aparente. Mas havia um motivo, eu queria mais, você foi minha prece para continuar, só pude pensar baixinho, deixe que vingue, crie raiz, eu adubo certinho, há tanto amor e carinho. E você ficou, uma semana, um mês, nem importa, foi intenso, foi toda a verdade que eu procurava. Mas foi rápido, tudo que vêm rápido, vai rápido. Já dizia minha Avó. E você foi indo. Uma ligação não atendida aqui, um sumiço repentino lá. Verdades escondidas por detrás da falta de coragem. Seria tão mais fácil não permanecer. Eu disse desde o inicio, eu sinto tanto, eu sinto muito, sinto com tudo de mim. Então você se foi, para outros braços, para os braços do passado talvez. Mas foi. Quebrou a promessa, e jogou fora todas as juras de ser meu. E eu te fiz meu, é isso que cancerianos fazem não é? Sentem tudo, mergulham. E você como mais um coração raso demais, não acreditou quando eu lhe disse que mergulharia. E eu mergulhei, molhei os pés e a alma todinha, me fraturei, quebrei tudo de mim mais uma vez por essa mania de querer mergulhar em gente rasa demais.

Karoline Amorim