Nasci Flor

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Nasci Flor. Colorida. Enfrentando das maiores tempestades até os mínimos dias de Sol. Nasci Flor. É, sempre enfeitar ou enfrentar. A vida de tanta gente, a primavera de cores, os invernos intensos. Nasci Flor, livre, única, frágil. Mas não poupei espinhos a aqueles que me roubaram pétalas e jardins. Nasci flor, perdendo a delicadeza com quem não deveria, bem querendo ter nascido pedra. Dura, fechada, cinza. Mas nasci Flor. E nesse jardim todo, alguns jardineiros só fizeram mal a mim, tolos, era só me cuidar. Alguns regaram demais, outros me deixaram secar, nenhum soube fazer o trabalho certo, acabaram com espinhos nas mãos. Ação e reação meus caros. Nasci Flor, mas queria mesmo era ter nascido borboleta. Voar até o céu, ser livre um instante do para sempre. Crescer lagarta, vencer solitária e amadurecer o suficiente para conhecer a imensidão do céu, sem ninguém, nenhuma pétala a perder ou jardim mal cuidado a viver. Apenas bater asas, enfeitar por ser, ser mensageira de Deus, ser liberdade e mais nada. Mas que pena, nasci flor.

Karoline Amorim

Beija-Flor

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Como um beija-flor, suas asas acompanham o ritmo do seu coração. Ela é movimento, é um passo a frente, sua intensidade condiz com o seu ser acelerado. Ela não nasceu pra esperar. É do pra ontem, suas paixões são efêmeras. Seu coração se acalma voando de flor em flor, guarda cada pouca essência para dar forma a ela mesma. Seus braços curtos tentam abraçar o mundo todinho. Ela gosta de viver assim, a flor da pele. Ela gosta de sentir. Experimentar. Nada pode saciar seu vicio pela vida. Seus olhos brilhantes enxergam essa beleza abstrata em cada pequena coisa. Ela nasceu para ser livre. Para fugir de qualquer gaiola e conhecer as árvores mais altas. Ela segue assim, beijando flores, saciando um pouco da sua vontade de viver tudo, vivendo um pouco de cada coisa. E quanta coisa, nada sacia a sede de vida que essa menina tem. O seu coração não tem dono, não tem lar, não abriga apenas alguns poucos e bons. Ela nasceu apaixonada, querendo a cada novo respirar, viver tudo aquilo que pode até o fim de tudo. Ela é liberdade. Entenda seu moço ela não pode parar.

Karoline Amorim

Pacifica

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Eu sei tá doendo. Teu corpo abriga tanta dor que parece que feriu todinho. As lembranças tiram o sono e aquele amor, aquele que deveria durar para sempre, te quebrou em milhares de pedaços, sobrando quase nada para continuar. Eu sei que dá vontade de fugir da vida, do corpo, da história. Sei que se esconder parece a melhor solução,  sei que nada faz esquecer. Sei das pessoas que dizem que vai passar, sendo que noite após noite não passa. Sei do sentimento de traição. Sei da decepção ao perceber que aquele alguém, é hoje, alguém que você não conhece. Sei das tentativas falhas de reparo. Sei da dor e do peso de mais uma desilusão. É assim sabe, a dor consome o corpo, a alma, qualquer pensamento feliz. É o fundo do poço. Parece mesmo que não vai acabar nunca. Parecem dias em vão. Parece dor infinita. Mas sabe, devo concordar com a dica universal: PASSA. Porém só passamos por algo, se atravessarmos por ele. Não importam as pedras, as dores, as dificuldades, o caminho se estende a sua frente e com o passar dos dias a gente aprende a respirar fundo e só ir. Ir enfrente, limpar os joelhos ralados, guardar bem o coração quebrado e ir. Aprende a levantar sem nenhuma mão para ajudar. Encontra na solidão a paz roubada. Não existe fórmula, não vai doer menos, vai ser enquanto precisar e depois disso a redenção chega. O aprendizado, o sorriso aberto de quem só chorou mas encontrou o caminho para ser feliz sem alguém. O prêmio maior de consolação, é aprender a lidar com uma dor causada por amor. É a paz do não sentir nada. É a anestesia que a vida dá, e que a gente sai sorrindo por aí, procurando um novo jeito de recomeçar.

Karoline Amorim

Depois de você.

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No começo ouve escuridão. Feito nuvens anunciando uma tempestade e a vida o nosso fim. Houve dor também, muita dor, dessas que você bebe pra passar, pra esquecer, pra melhorar, para o amanhã chegar logo. Houve desespero, uma falta contida, uma saudade que matava ao invés de ser matada. Houve orgulho. Houve decepção. Houve verdade. Assim como na alegria, sempre existe uma verdade bela e crua no sofrer. Houve a anestesia que a vida doa, e os dias passando e te levando cada vez mais longe da história e do coração. Houveram dias, e noites, e manhãs, e madrugadas. Houve vida e houve a falta de vontade dela. E acima de tudo, olhos que enxergaram coisas outrora não vistas.

De repente não mais eu, não mais você. De repente outra boca. De repente outro abraço. De repente uma saudade de um passado que não se encaixava no futuro, mas continuava lá, querendo entrar, querendo espaço. De repente um ciclo se fechou. A vida girando e rodopiando como faz de melhor, ensinou que não mais você. Mostrou o egoísmo, a saudade de alguém que existiu no passado e somente lá.

De repente, tão rápido quanto cheguei  quis partir. Olhei você e não vi ninguém considerável. Engoli aquele seu “Conversamos por aí” segurei meu coração e soltei pra vida, quase com alivio, quase como oração, aquilo que nunca imaginei: Não mais. Três anos depois, três anos mais forte, três anos mais sábia, no mesmo dia em que cheguei a vida me tirou de você, eu deixei tudo que você me trouxe e saí, você nunca soube, mas foi ali que você me perdeu. E como irônica que a vida é, foi ali que sem querer me encontrei. Encontrei o amor por mim, encontrei as minhas vontades, encontrei o orgulho que sempre deixei de lado por você. Encontrei muito mais vida que todo esse tempo nublado que você deixou. Sou grata, desejo apenas reciprocidade, a vida fará o seu trabalho a partir dela.

Karoline Amorim

Talvez.


Talvez um dia eu te ligue sabe, talvez um dia a coragem vai tomar conta e eu vou te dizer tudo que nunca consegui, por medo ou orgulho. Tudo tem uma razão né. Talvez um dia eu consiga te tratar como um amigo de novo. Ou discar o teu numero e dizer que tudo foi bom demais. Aconteceu. Rolou um tempo. Não vingou. Hoje entendo que nem todo o amor nasce para ser para sempre sabe. Talvez eu até toque tua campainha e deixe umas poucas coisas que o coração não conseguiu jogar fora. Pode ser que eu te escreva, dizendo coisas que sempre estiveram no papel porém nunca saíram pela boca. Talvez tu diga que também pensou em mim. Que tudo foi inesquecível pra ti também. Talvez a gente nem se conheça mais e tudo isso que a mente guarda sejam apenas momentos, desses que marcam e definem a vida e se vão tão rápido quanto chegam. Meu coração é um saco de “talvezes” é que você foi um talvez sabe. A duvida. A incerteza. As profundezas onde eu preferi não mergulhar achando que assim me preservaria. Mas afundei, mesmo sem querer, mesmo sem poder, mesmo com a dúvida de que você me salvaria se soubesse. Foi um quase. Um copo meio cheio ou meio vazio. O meio termo que tanto odeio. Uma página mal escrita. O segredo que o coração guarda. Um talvez, que talvez a vida resolva definir um dia.

Karoline Amorim

Momentos

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E se eu te disser que vivo para momentos como esse? É. Essa paz mansa de apenas existir, de ser essencial, de se sentir completo na vida. É isso sabe, é isso que eu tanto procurei e encontrei aqui nos teus olhos me olhando de lado, com um brilho perverso, um sorriso de canto e meu coração nas mãos. Certamente se eu não tive um sentido na vida, eu encontrei aqui nesse sofá, com uma camiseta maior que eu e nada mais que carinho, afeto, paz pura. Eu vivi para mexer nos teus cabelos e imaginar que sorte eu tenho. Eu vivo para esse silêncio que não grita nada, que não precisa ser preenchido com conversas aleatórias. Pra tua mão no meu joelho como se eu estivesse longe demais. Para aqueles passeios descabidos que surgem do nada, mas é sempre aquele: Vamos? Vamos! Sem dúvidas, sem sufoco, coexistimos, orbitamos. Dançar sem música é possível? Eu me sinto flutuar na sua dança, eu e meu coração sempre acelerado. É que eu sempre quis muito da vida sabe seu moço, sempre fui um copo muito cheio, transbordando, me afundando em uma ansiedade por tudo que não encontrava, mas agora eu me sinto transbordar em ti, em nós, em mim. Momentos exatos, nenhum acaso, nosso tempo. Acho mesmo que seria nós, desde aquela manhã vazia com cara de mais uma que se tornou o nosso eterno enquanto formos assim, nossa própria paz, nosso próprio universo.

Karoline Amorim

Ao meu eu de ontem

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Eu sei. Agora eu sei. O mundo gira. As pessoas voltam. Eu tenho o direito de não querer. Não fazer. De dizer não. Agora eu sei que aqueles amores foram eternos sim, e isso não significa que precisem estar na minha vida. O eterno não se conta em dias, aprendi isso. Agora sei quais os amigos eu posso contar, quais eu precisei deixar, e quais deixaram tão facilmente de mim. Agora sei da luta que é enfrentar cada dia, sabendo que será menos um dia e ainda assim mais um dia para mais perto dos meus planos. Agora aprendi que a paciência e a gratidão é tudo que eu preciso para não entrar em desespero. Hoje vejo que aquela garota que amava a cada esquina ainda mora aqui, ainda jogo amor aos 4 cantos, só aprendi a me nutrir desse amor também. Eu ainda pinto as unhas de preto. Não faço dieta. E leio romances clichês. A diferença é que aprendi a absorver um pouco de cada coisa. Quando se é novo, vivemos tanto o agora que apenas vivemos, mergulhamos no efêmero. Agora um pouco mais velha, muito mais sábia, eu aprendi a apreciar cada pequeno detalhe que faz da vida sempre unica. Os dias bons. Os abraços apertados. As conversas que fluem suaves e roubam segredos e vários “eu também”. O medo que nos faz pensar antes de cada coisa. As conversas com os mais velhos, que sempre nos doam pérolas e as vezes nem salvamos. Posso dizer ao meu eu de ontem que o amor existe em todo canto sim. Que se apaixonar é demais. Que nem todos serão amigos de verdade e que outros serão amigos para a vida toda. Posso lhe dizer que o amanhã é lindo, e não existe medo algum em querer que ele chegue logo, mas o hoje. Ahhh o hoje é sensacional.

Karoline Amorim

Ela é de Câncer

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Rapaz ela é de câncer. O sentir em pessoa. A intuição. O amor dela se projeta em ondas, e que mar agitado dentro dessa menina. Mas não, de boba essa menina não tem nada. Ela vai te encher de amor, de vida, de apreço, mas caso você a assuste, assim como o caranguejo ela se fechará para tudo de bom que poderia te oferecer. Sim ela é frágil, mas ela demonstra isso? Poucas vezes. Ela tem isso de estar na maioria das vezes na própria mente, e dentro de várias ao redor. O querer dela é o maior do mundo, mas ela pode não querer apenas amor. Ela quer sentir, sentir vida, alegria, dor. Não interessa o jeito, ela quer sentir hoje, amanhã, depois e depois. Sua lealdade com quem ama será o vinculo eterno, quase materno que mora nela. Ela sempre tem alguém no coração, em primeiro lugar, no menor pensamento. Seu calor queima e seu ciúme borbulha. Não, ela não vai acreditar em contos de fadas, ela prefere fazer sua história. Suave como algodão, essa menina é uma dúvida ambulante. Assim como o astro que lhe rege, ela é uma lua. Suas fases mudam a todo momento, e acho mesmo que isso só se da ao fato de que ela quer ser tudo, nunca nada. Ela espera o bolo todo, não se contenta apenas com a cereja. Essa é a canceriana, sentindo, querendo, conseguindo, se escondendo. Ela mora nas profundezas, não se contenta com mergulhos rasos, pra ela sentir é mergulhar.

Karoline Amorim

Eu não sei fazer joguinhos

Eu não sei fazer joguinhos É isso. Não sei jogar. Não nego querer, não sou de fingir. Se eu te dizer que vou, isso vai acontecer. Se eu disser que quero, então vou te querer. Caso eu te ame, o amor perdurará. Não sei jogar com indiferença. Sempre sei o que quero, quando quero, como quero. Sem mimimi. Sem deixar para depois. Sem sumir dois dias para ser dificil. Eu sou verdade. E exatamente por isso só aceito a verdade. Aceito quem me quer sempre, não as duas da madrugada. Aceito quem diz que sente falta. Que ta com saudade. Que não esconde querer. Aceito quem aponta meus defeitos e na sinceridade diz com coragem que acabou. Eu só aceito verdades, vontades, quereres completos. E é por isso que nunca saberia viver de joguinhos, não quero um amor manipulado, quero um amor real. Quem me quiser, vai me querer todos os dias, aceitar todos os dias e lutar por mim todos os dias. E eu não vou fugir. Afinal o sentir é isso não é mesmo? Continuar ali, ser presença.
Karoline Amorim

Vejo poesia em você

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Vi poesia em você. Te li em cada gesto estranho. Cada linha um suspiro. Cada sorriso um mistério novo. Você tem isso sabe, olhos que guardam o segredo do mundo e esse sorriso que instiga a desvendar, desbravar histórias impossíveis. Uma contradição, certo como respirar ou deixar de. Te leio em detalhes. O romance nos olhares, a personalidade que derrama o clímax da história. Vejo palavras não ditas, leio as tuas entrelinhas confusas. Sempre comedora de letrinhas vou te devorando. Você tem isso seu moço, atiça minha curiosidade, me faz poesia e eu tenho que te escrever. Rabisco você em todo o meu ser. Te leio com os olhos, em silêncio, nesses sorrisos que eu perco pra você. Vou juntando letra por letra, e no final de cada encontro, ganho uma estrofe nova. E no final de cada dia tenho um livro de linhas tuas. Como uma arte, te querer é te apreciar. Te ter é te sonhar. E no final de tudo, sempre vejo um nova história em você.

Karoline Amorim